Nos sistemas de lodos ativados, a idade do lodo, definida pelo número de vezes que o lodo flocular decanta e retorna ao tanque de aeração, é um parâmetro fundamental para a avaliação do processo. À medida que essa idade aumenta, observa-se o surgimento e a maior frequência de organismos mais complexos, entre eles os rotíferos.
Rotífero em amostra de lodo ativado. Microscopia de contraste de fase e ampliação de 400x.
Os rotíferos são micrometazoários amplamente encontrados em sistemas de lodos ativados, águas residuais e superficiais, apresentando dimensões que variam, em geral, entre 200 e 500 µm de comprimento. São popularmente conhecidos como “animais de rodas” devido à presença de cílios na região cefálica, cuja movimentação coordenada cria a impressão visual de duas rodas em rotação.
Esses cílios desempenham papel essencial na captura por alimento.
Rotíferos constituem um importante componente do zooplâncton e alimentam-se de material em suspensão, por isso são conhecidos como filtradores. Além disso, desempenham um papel relevante em lagos, na remoção do fitoplâncton de tamanhos pequenos (> 20 μm < 50 μm).
Rotífero alimentando-se de fitoplâncton e bactérias em suspensão. Microscopia de contraste de fase e ampliação de 400x.
Uma característica interessante dos rotíferos é a excreção de substâncias mucosas, que contribuem para a coagulação de sólidos dispersos. Dessa forma, esses organismos interagem positivamente com o processo de formação e estabilização dos flocos em sistemas de lodos ativados, favorecendo a sedimentação do lodo.
Do ponto de vista reprodutivo, os rotíferos apresentam diversos mecanismos, sendo o mais frequente a partenogênese assexuada. Nesse processo, as fêmeas incubam ovos não fertilizados em sua cavidade posterior, o que permite rápida multiplicação em condições ambientais favoráveis.

Rotífero com ovo incubado em sua cavidade. Microscopia de contraste de fase e ampliação de 400x.
De modo geral, a presença de rotíferos em sistemas de lodos ativados é considerada um indicador biológico positivo, estando associada a idades de lodo elevadas, alto grau de oxidação e boa eficiência de depuração do sistema.
Compreender e monitorar esses microrganismos é mais uma forma de transformar a microbiologia em uma aliada estratégica na operação e otimização de estações de tratamento de efluentes.
Referências:
01. SAAR, J.H. Microbiologia dos Lodos Ativados. 1° ed. Porto Alegre: Gênese, 2015.
02. CLASS, I.C. Lodos Ativados Princípios Teóricos Fundamentais, Operação e Controle. 1° ed. Porto Alegre: Evanfraf, 2007.
03. TUNDISI, J. G. Limnologa. São Paulo: Oficina de Textos, 2008.